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Brasileños se despiden de Moraes Moreira sin abrazos
13April

Brasileños se despiden de Moraes Moreira sin abrazos

Los brasileños se despertaron hoy con la triste noticia de la muerte del cantante, compositor y poeta cordelero Moraes Moreira, quien fue encontrado sin vida en su departamento. Era de Bahía, pero vivía en Río de Janeiro, donde murió mientras dormía en su casa. Como es un período de contagio por el coronavirus, la ceremonia de despedida estará cerrada al público -solo para los miembros de la familia-. De seguro en otro tiempo sería un verdadero carnaval con los fanáticos participando y cantando sus canciones...

Disfrutar de su trabajo es el mejor homenaje en este momento. Y tomará mucho tiempo escuchar todo su trabajo recogido en 40 discos: 29 de su carrera en solitario, 8 con Novos Baianos y también con el Trio Elétrico Dodô y Osmar, además de 2 álbumes en asociación con el guitarrista Pepeu Gomes. Y tiene de todos los ritmos y para todos gustos: desde los populares frevo, baião, rock, samba, choro e incluso música clásica.

 

Novos Baianos
Moreira con Novos Baianos

 

Moraes Moreira

 

Moreira se hizo famoso por ser uno de los fundadores en la década de 1970 del grupo Novos Baianos junto a Baby Consuelo, Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor y Luiz Galvão. En poesía, Moraes Moreira era conocido por sus cuerdas, incluso ocupaba la cátedra 38 de la Academia de Literatura e Cordel. Y el mes pasado publicó en su instagram: 

“Estoy aquí en Gávea, entre mi casa y mi oficina, que están cerca, cumpliendo mi cuarentena, jugando y escribiendo sin parar. Este Cordel nació al amanecer del 17 de marzo y se lo enviaré para su apreciación. ¡Buena suerte!" 

QUARENTENA

Por Moraes Moreira

Eu temo o coronavírus

E zelo por minha vida

Mas tenho medo de tiros

Também de bala perdida,

A nossa fé é vacina

O professor que me ensina

Será minha própria lida

 

Assombra-me a Pandemia

Que agora domina o mundo

Mas tenho uma garantia

Não sou nenhum vagabundo,

Porque todo cidadão

Merece mais atenção

O sentimento é profundo

 

Eu não queria essa praga

Que não é mais do Egito

Não quero que ela traga

O mal que sempre eu evito,

Os males não são eternos

Pois os recursos modernos

Estão aí, acredito

 

De quem será esse lucro

Ou mesmo a teoria?

Detesto falar de estupro

Eu gosto é de poesia,

Mas creio na consciência

E digo não violência

Toda noite e todo dia

 

Eu tenho medo do excesso

Que seja em qualquer sentido

Mas também do retrocesso

Que por aí escondido,

As vezes é o que notamos

Passar o que já passamos

Jamais será esquecido

 

Até aceito a Polícia

Mas quando muda de letra

E se transforma em milícia

Odeio essa mutreta,

Pra combater o que alarma

Só tenho mesmo uma arma

Que é a minha caneta

 

Com tanta coisa inda cismo...

Estão na ordem do dia

Eu digo não ao machismo

Também a misoginia,

Tem outros que eu não aceito

É o tal do preconceito

E as sombras da hipocrisia

 

As coisas já foram postas

Mas prevalecem os reles

Queremos sim ter respostas

Sobre as nossas Marielles,

Em meio a um mundo efêmero

Não é só questão de gênero

Nem de homens ou mulheres

 

O que vale é o ser humano

E sua dignidade

Vivemos num mundo insano

Queremos mais liberdade,

Pra que tudo isso mude

Certeza, ninguém se ilude

Não Tem tempo, nem idade.